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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O TEMPO NÃO EXISTE: É A QUARTA DIMENSÃO DO ESPAÇO!

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Agora entendi porque Drummond não escrevia sobre sua infância no particípio passado. Para ele a infância era tão tangível que se referia a fatos vividos na época em que era criança como se tivessem acabado de acontecer. O tempo não interferia no processo.

Sinto isso também, embora não seja poeta. Acho que por esse motivo fico sempre um pouco chocada quando alguém se refere a mim como uma senhora idosa. Nunca me senti uma "idosa". Minha cabeça está viajando por toda uma vida que vivi e passa de uma cena à outra sem espaço de tempo. É tudo sentido e vivido como se tivesse acabado de acontecer. Claro que os sintomas físicos da velhice já se fazem sentir, às vezes de uma forma que chega a me irritar. O corpo quer ir mais longe e o cansaço e dificuldade para um movimento mais intenso me impedem e me aborrecem. 

Mas sinto que se não tiver problemas mentais eu vou trazer sempre comigo a minha vida inteira!!!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Numa peixaria no Mercado Municipal de Santos...

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Nunca façam o que se segue com seus filhos. NUNCA!!!

Eu devia ter 3 ou 4 anos, tinha a mania de descer do carro junto com meu pai, toda vez que ele parava para ir a uma farmácia, mercado, enfim, qualquer lugar.

Um dia parou numa peixaria do Mercado de Santos, desceu do carro entrou na peixaria, perguntou alguma coisa e logo saiu pela entrada lateral. As duas entradas eram divididas por uma coluna de alvenaria. Eu corri atrás e quando vi que ele saiu pela outra porta, tentei alcançá-lo mas ele, rapidamente entrou no carro, deu a partida e foi embora. Eu fiquei na calçada gritando como uma desesperada e até hoje me lembro da cena de horror. Achei que nunca mais ia ver meus pais. Os lojistas todos correram à porta de seu comércio, assustados com o que estava acontecendo e gritavam para meu pai voltar. Ele deu marcha-a-ré e voltou para me pegar. Disse que foi uma lição para eu aprender a ficar no carro quando ele descia para ir a algum lugar.

Com isso ele deixou de ser amado por mim. A partir daquele evento de horror, passei a ter dois sentimentos por ele: medo e respeito. O segundo era apenas consequência do primeiro.

Não sei se foi a partir daquele dia, nunca mais confiei em homem algum.

sábado, 9 de julho de 2016

Porque não gosto da memória

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Acho que me identifico com autores que falam dos dramas da alma humana. Embora inventem uma história, fazem-no para encaixar alguma coisa pessoal que fica melhor se dita de forma a despertar interesse; e nada como uma boa história para contar sobre si e os desafios que a vida representa para todo ser humano.

Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Franz Kafka, entre alguns outros, são escritores que me preenchem a alma. Falam-me direto ao coração, deixam-me sempre com uma sensação de que encontrei um irmão, uma irmã de alma. 

Talvez por isso não me esforço para dizer alguma coisa, quando vejo que eles já disseram quase tudo. O fio da vida é o mesmo, o que muda são as contas que se enfiam nesse cordão. A cada um foi dado viver seu desafio, escolher o sentido da vida, criá-lo mesmo, para enfrentar todos os momentos. 

Viver não é tarefa fácil, e penso que quem sabe colocar em palavras o que lhe vai à alma, tem a vantagem de aliviar a tensão de existir. Sempre nos resta o passado a recordar, queiramos ou não. E aí reside todo o problema. Se conseguíssemos estar sempre no presente não existiriam escritores, a vida seria uma sucessão de eventos, descartados logo após alguns instantes de presença em cada um de nós. Mas a memória é o grande calcanhar de Aquiles. É aí que começa o peso. Já não conseguimos mais a leveza de simplesmente existir. E corremos atrás de algum filósofo, algumas vezes psicólogo e até psiquiatras, quando a coisa começa a ficar insustentável.

Deixar a carga para trás é a sabedoria de quem escolheu viver bem. Não se prender a ideologias, religiões, padrões, apegos, é o que precisamos para viver bem.

Ainda não consegui fazer minha alma parar de mastigar o chiclé cansativo e amargo que insisto em não cuspir fora.

sábado, 25 de junho de 2016

CHIP PARA OS SONHOS

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Quanta coisa me foge se eu não corro até o computador e registro o que me vem à mente...

Estava pensando no quanto de material precioso se perde nos sonhos, que esquecemos logo depois de acordar. Ao menos comigo acontece de viver em ambientes tão diversos do que eu vivo na vida física, acontecem coisas tão bizarras, absurdas, que acho injusto não haver, com todo o avanço da ciência, um tipo de chip que pudéssemos introduzir no cérebro e gravasse como num arquivo de computador, todos os nossos sonhos. 

Acho que ainda vamos chegar a isso. Ao menos se existir alguém tão fascinado por sonhos como eu e que possa transformar esse material diáfano e misterioso em registros gravados para nossa apreciação posterior.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

uma felicidade que não se repete








Aqui sempre escrevo movida por alguma emoção ou reflexão sobre certos assuntos que me chegam de repente. Nada é programado.
Agora mesmo, ao colocar uma toalhinha de mesa de molho no sabão, lembrei-me de que a forma que tenho para honrar a memória de uma pessoa querida que já se foi é, além de rezar por sua alma, cuidar do material que herdei. Pequenas coisas que guardo com carinho e uso diariamente fazem uma conexão com o espírito de minha tia. Não posso afirmar nada, mas sinto que o amor que tenho por ela permanece até agora (amanhã faz 2 anos que partiu) e sua lembrança me acompanha e me dá alento.

Titia querida, você não poderia (nem eu) ter ideia do amor que semeou em toda a minha vida, desde que nasci. Seu carinho me alimenta até hoje. Sua bondade evitou que eu entrasse em estado negativo de alma, era só procurar sua companhia  para dividirmos uma refeição que eu preparava em minha casa e levava até Santos. O pãozinho que comprávamos na padaria, o cafezinho que tomávamos juntas à tarde, antes de eu voltar para casa, tudo isso me traz uma emoção muito viva e vai ser sempre assim.

Certas felicidades não se repetem na vida. Essa é uma delas. Amanhã mandarei rezar missa para sua alma. Com muito amor, sua sobrinha e afilhada nunca vai deixá-la sozinha. Obrigada por ter feito parte da minha família.


terça-feira, 17 de maio de 2016

o quebra-cabeças de uma pessoa de idade avançada...

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Por que preciso escrever isto? Por que as coisas ficam mais complicadas quando ficamos mais velhos? Claro que muitos irão responder que nossas funções começam a sofrer alterações, caem para um grau inferior e já não podemos acreditar que somos capazes de trocar a tampa de um WC sem drama. Ter que desaparafusar dois pinos que já estavam grudados nas porcas, oxidados e quase impossíveis de serem removidos me fez sentir que quase perdi as impressões digitais do polegar e indicador direitos, de tanta força que fiz com os dedos. Com muito WD40 e um alicate menor emprestado do porteiro do prédio, consegui depois de meia hora, a façanha. Só que meu desespero não terminou aí. A nova tampa era mais complicada de montar do que minha inteligência poderia admitir. Veio com uma peça de plástico preta, comprida, que mais parecia um bumerangue, que não servia para nada como descobri mais tarde. Só não joguei pela janela porque achei que poderia voltar e me acertar a cabeça. Confesso que tive que levar tampa e assento de volta na loja onde comprei e vi que era tudo uma questão de força. Por isso é que para certas coisas só um homem resolve. Eu tenho saudade do tempo em que sem pestanejar pegava na furadeira e providenciava para que os quadros que eu gostava ficassem nos melhores lugares da casa. Hoje não arrisco. Talvez conseguisse, mas prefiro pagar alguém para fazê-lo. Ou deixar as paredes vazias, estilo "clean", que não enjoa nunca...


quinta-feira, 12 de maio de 2016

O BONDE DA VIDA

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A vida corre tão depressa que quando venho ao computador já me esqueci do que queria escrever. De repente, uma necessidade já não é tão importante e até mesmo vai para o território dos sonhos, onde ficam guardadas as lembranças fugazes. Deve haver um lugar onde se escondem todas as lembranças que a memória já não é capaz de conter. Afora alguns insights, tudo o que me escapa não volta mais. Tenho material estocado em algum arquivo inacessível e isso me causa certa ansiedade. Gostaria de recuperar esses arquivos que sinto perdidos para sempre. 

Agora mesmo, enquanto escrevo, alguns fiapos de momentos vividos há mais de 40 anos voltam com força suficiente para que eu tenha a certeza de que estavam guardados numa gavetinha que por algum motivo foi aberta e rapidamente fechada. E então minha cachorrinha começa a chorar como criança, tentando me convencer a dar atenção exclusiva a ela. 

Viver esses dias com uma sensação de que não há tempo para planejar nada, viver sentindo que só devo me atrever a fazer aquilo que vai trazer um pouco mais de conforto aos meus dias, facilitando uma ou outra coisa aqui e ali no lugar onde moro, para que não pague muito caro com grande esforço físico e ao mesmo tempo tenha um ambiente onde me agrade ficar mais tempo, já que a tendência é aprender a gostar do que está mais perto...eis minha principal ocupação. 

Dizem que a velhice é a melhor idade. Quem falou isso estava fora de si. Melhor idade não existe. Na velhice o que podemos é relativizar tudo e assim encontrarmos motivo para não desistir. quando temos saudade da juventude. Verdade é que essa saudade não inclui os dias de sofrimento por coisas que hoje tiramos de letra. Não inclui as angústias que sofremos por falta de habilidade em lidar com nossos sentimentos, fazendo com que funcionem a nosso favor. Queremos absorver tudo, temos pavor de perder o bonde da vida...

Mais tarde vemos que esse bonde continua passando por nós, só que cada vez mais vazio. No final, somos passageiros solitários que temos que aprender a fazer dessa viagem solitária algo interessante. Já não podemos depender de conversas para passar o tempo. O tempo vai ficando cada vez mais precioso, como um vinho raro que tem que ser saboreado em pequenos goles!