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quinta-feira, 19 de abril de 2018

DESAPEGO (uma palavra que tem mil significados)






Ando às voltas com o pensamento no desapego. Como vou fazer a escolha do que doar e do  que  descartar? Tudo o que tenho representa alguma coisa de valor. Para mim, apenas o estimativo. Mas talvez ninguém entenda que me dói na alma apenas um descarte: meus livros e algumas fotos . Foi com os livros que passei os melhores momentos da vida. Sou grata à minha mãe por ter me incentivado a leitura desde que aprendi com ela a ler, aos 5 anos de idade. Desde então, nunca mais parei. Fiz amigos e irmãos de alma entre os escritores que elegi como meus favoritos. Deixar meus livros é como deixar um pedaço da minha alma na Terra, quando eu partir.

Tudo o mais podem jogar no caminhão do lixo.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Enquanto não chegam ideias

                                                                 (foto da internet)


O que me faz silenciar por tanto tempo? Preciso escrever. Tenho um blog e não o uso. É como ter um carro na garagem e perceber que se não usá-lo vou ter problemas. A bateria descarrega, na melhor das hipóteses. Venho pensando muito, então o ruído interno não cessa. Jogar o ruído para fora alivia? Não sei, há que se dizer de forma interessante o que se tem a dizer. Há que fazer nexo, ter uma certa graça. Há que se desenvolver uma ideia com uma sequência que deixe um rastro de um mínimo de inteligência. Alguém, não me lembro quem, disse que escrevemos para não enlouquecermos. Pode ser. Mas há um momento em que isso não é assim. Quando as letras ficam como que guardadas dentro de uma caixinha no cérebro e você sabe que para fazê-las sair da caixa há a necessidade de dizer algo que faça sentido, ao menos para você e esse momento não chega, será o bloqueio de escritor? Mas nem ao menos sou escritora...Por que esse malu estar em sentir que estou me afastando de uma das poucas atividades que me dão um certo prazer? Muito já não faço e arrisco dizer que nem tenho vontade de inventar lazeres! As coisas cada vez mais, menos me motivam. Continuo com o mesmo entusiasmo, dedicação e amor, no entanto, para aquilo que me move. Adoro minha rotina que foi criada por alguém que não sou eu. Quando vejo já é hora de fazer o que acabo fazendo sempre na mesma hora, sem que determine isso. Apenas acontece. Meu ritmo biológico se ajustou numa constância que me surpreende. E me agrada. É o que me defende de acidentes maiores. Os pequenos tenho sempre, como qualquer ser humano: cortar o dedo durante o preparo dos alimentos, dar um mau jeito enquanto passeio com as cachorras, cansar-me mais facilmente pela própria idade, mas vou sem pressa. O ritmo se faz por si mesmo, pois a natureza é sábia. Protege-nos mesmo quando não estamos alertas e isso tudo para nos dizer que temos uma tarefa a cumprir até o último suspiro!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Ponteiros Parados: OS ESCRITORES

Ponteiros Parados: OS ESCRITORES: André Kertész | Série On Reading Viver em sociedade permite compensar a falta de auto-suficiência de cada um. Daí um electricista, um...

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

filosofia a partir de uma panela queimada

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                                                            (na casa da minha vizinha) .....




Uma vizinha me disse: "gosto de ariar as panelas até que fiquem brilhando muito!"

Confesso que admiro essa capacidade. Nunca consegui ter panelas muito brilhantes por muito tempo. Cheguei a comprar um jogo de panelas de aço inox, mas com o tempo, vão ficando cheias de manchas que não saem nem com reza brava...(talvez no google eu encontre a solução)

Preciso ter tolerância e compreensão com as pessoas. Cada um de nós tem suas manias, mas deixo, sem querer, escapar algumas delas em comentários que ao outro pode pouco interessar. E se faltar atenção no diálogo é um amigo a menos que você tem. Não que se precise de muitos amigos, mas é bom ter relacionamentos agradáveis com todos os que vivem em nossa área. Fica mais fácil conviver. Muitas vezes procuro ficar atenta ao que falam comigo.  Mas há alguns assuntos que prefiro, delicadamente, cortar logo no início: religião e política. Que sejam o que quiserem, mas que não me façam engolir nem perder meu precioso tempo escutando isso.

Prefiro até ouvir minha vizinha dizendo que gosta de suas panelas brilhando como o sol!!!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

DANÇANDO NA MEMÓRIA

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Se eu disser que na faixa dos 70 anos ainda tenho vontade de dançar, vão dar risada e dizer: "velha assanhada, não dançou bastante na juventude?" Respondo que sim, dancei mais que pude, aliás, estaria dançando até agora se não fosse a vida interferir e me fazer irromper a melodia que me vai na alma. Hoje, ouvindo http://radio.garden/live/sao-paulo-sp/radio-scalla-omaggio/  uma cena vivida há  mais de 30 anos chegou-me à memória, quando num baile da 3a. idade (eta nomezinho antipático!) mais conhecido como "baile das varizes" (prefiro o bom humor deste)) veio um senhor me tirar para dançar o que seria uma seleção de samba daqueles de deixar o corpo mole para não quebrar em mil pedaços...pois esse senhor deixou a mesa onde estava instalado com mulher e amigos e sabe-se lá por que razão se dirigiu até mim (eu estava sozinha) tirou-me para dançar e rodopiamos durante toda a seleção de sambas. Durante a dança ele não falou palavra, nem eu. Apenas seguíamos o ritmo da música. No final ele disse "obrigado", eu disse "de nada" e foi cada um para seu canto.

Quero agradecer por esse momento mágico. Mais mágico por não ter sido interrompido por alguma palavra desnecessária ou até mesmo inconveniente de ambas as partes. Mágico por poder contar com a compreensão da mulher dele, que em momento algum pareceu contrariada de ver seu marido tirar outra mulher para dançar. Aí já chegam as divagações: "será que ela machucou o pé?" será que não sabe dançar mas quer que o marido se divirta"? 

Nada disso importa, agora. Só o fato de eu ter me lembrado dessa experiência deliciosa e saber que ainda dançaria pela vida afora...mas quem vai tirar uma velha na faixa dos setenta para dançar? Quem? Quem?

sábado, 26 de agosto de 2017

UM FIO DE ESPERANÇA

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Durante muitos anos fui omissa em relação a tantas coisas que poderia ter feito, tantos esquemas nos quais poderia ter me engajado para o bem das causas humanitárias, dos direitos dos cidadãos, do auxílio voluntário aos que necessitam de cuidados. Sei que isso precisa ser feito com boa condição física e emocional de quem se propõe a fazê-lo. Meu ser, desde adolescente, tem tido dificuldade em jogar-se de corpo e alma a tudo aquilo que uma parte de mim ansiava por fazer.  Faltava-me coragem, confiança em minha capacidade, enfim, alguma coisa impediu, que só hoje começo a decifrar. Só hoje, já mais preparada para viver com as limitações que a idade vem impondo, é que me senti com vontade de voltar 30 ou 40 anos e poder justificar minha vinda ao mundo. Só hoje sei o que me impediu de ousar. E o que mais me dói é que conheço minhas qualificações para o que deveria ter feito e não fiz. Acabei me acovardando dentro de uma opção de vida que desde o começo já estava condenada ao fracasso, (que veio acrescentar mais medo e falta de confiança à minha natureza antes tão disposta) e o que ficou foi uma vida medíocre, se é que posso dizer isso, comparando-a com pessoas que fizeram tanto pelos outros. Não faltou auto motivação para fazer cursos, participar de atividades voluntárias por alguns anos, mas tudo foi feito por algum tempo, não o suficiente para levar a alguma realização palpável. Tudo durou pouco. Meu curso de medicina alternativa (de 2 anos) permitiu que eu fizesse uma sociedade com duas pessoas e criasse um espaço para praticar o que aprendi, mas não teve sucesso. Minhas sócias que nasceram e viveram a vida inteira nesta cidade é quem tinham seus clientes e nunca compartilharam uma parte deles comigo. Eu, como não conheço quase ninguém aqui onde moro, ficava às moscas, sem clientes e isso me fez desistir depois de 3 meses pagando despesas e não recebendo um centavo de retorno.
Reparei, fazendo um exame mais detalhado em minha vida, que tudo aquilo em que me envolvi no sentido de prestar um trabalho voluntário, já que me aposentei, foi arrebatado de mim por motivos fortes, que chegaram a prejudicar minha saúde.
Hoje costumo oferecer ao Ser Supremo todos os momentos em que estou executando uma tarefa "menor", pois tenho perfeita consciência de que poderia estar envolvida em tarefas mais nobres. Chegam imediatamente à minha lembrança, vivências de épocas muito difíceis, onde precisei de sorte para atravessá-las com corpo e mente preservados. Então valorizo o que sou. Faço tudo o que for preciso com capricho, amor e oferecendo como crédito ao transcendental. Não sei se existe vida depois desta, mas suspeito de que o fato de não termos provas de nada  pode servir de motivação e esperança em depositar nosso esforço a uma Força Maior. Ao menos para que possamos ser espontâneos e não barganhar com Deus.

Sempre fui só e um fio de esperança me conduziu até aqui. Hoje tenho medo de que esse fio se rompa.

Em tempo: o texto acima foi redigido há anos. Hoje já não sinto que minha vida foi vivida em atividades menores. Ao contrário, lembrando até onde a memória permite, percebo que vivi intensamente. Sempre. Portanto, se fiz o que fiz, assim teria que ser feito. Sou grata a tudo, até ao sofrimento. Através dele é que cheguei onde estou e posso assegurar que estou feliz com o resultado. Não trocaria minha vida por outra qualquer. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PLANISFÉRIO HUMANO ou CARTA PLANA DO CORPO HUMANO






Tomando banho, de repente ao passar a bucha vegetal pelos braços e pernas, tive uma sensação de que meu corpo poderia ser escaneado e colocado como um planisfério. Seria isso uma carta do corpo humano representada em um plano? Estou cá tentando arranjar um nome para definir o que imaginei. Seria interessante cada pessoa ter seu "planicorpo" registrado em detalhes para que ao ser comparado com os demais, sirva como referência, ajudando-nos uns aos outros a percebermos as características de cada um, assim como ao analisarmos um planisfério, podemos magnificá-lo e descobrir o relevo de cada segmento, perceber as montanhas, rios, vales, vulcões, matas, desertos, enfim, a diversidade que se apresenta na superfície de cada corpo. 

Sei que é uma ideia louca, mas nos tempos da computação gráfica e dos vários recursos que temos ao nosso dispor, quem sabe alguém se arriscaria a tentar um relevo do corpo humano até como uma obra de arte? Não estou me referindo a um atlas do corpo humano e sim um mapa personalizado da superfície de um corpo, com os detalhes todos aumentados para melhor visualização e estudo. Poderíamos fazer um estudo comparativo e descobrir se há algo em comum entre os corpos que determine, por exemplo, a existência de certas doenças, ou mesmo a tendência a ter certos males que poderiam ser corrigidos a tempo...

Mas isso foi só uma ideia maluca. Algum cientista ou até mesmo algum artista poderia aproveitá-la e colocar em prática. Talvez eu possa explicar melhor a essa pessoa o que me veio à cabeça durante o banho ontem à noite, que fez com que eu visualizasse um esboço da carta plana do corpo humano.


Nota: o procedimento acima teria que ser feito no plano virtual, há que se fazê-lo com a pessoa viva, já que se for feito depois da morte não seremos mais que um tapete de vaca malhada, daqueles que se usavam (se usam ainda?) nas salas das casas rurais.

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