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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

GIRASSÓIS






foto tirada por mim, hoje, na Praça Kennedy, Santo André-SP


Fiquei surpresa quando vi esses girassóis "de costas" para o sol. Até os girassóis andam enlouquecidos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Adotar nem sempre é o certo.




(foto tirada por mim do Parque Central -Santo Andre)


Há muito tempo, tinha eu 8/9 anos, morava em Santos e às vezes frequentava alguns vizinhos com meninas da minha idade. Eu e minha irmã costumávamos ir à casa da Grace, que tinha uma irmã adotiva chamada Izildinha. A Grace era alta, magra, loura, de olhos verdes. A Izildinha era morena, baixinha, cabelos e olhos pretos, parecia uma indiazinha. Um dia chegamos, eu e minha irmã, na hora do almoço das duas. A mãe serviu a comida e trouxe o suco (de abacaxi) para a Grace. Para a Izildinha trouxe água. A pequena pediu suco e a mãe disse que estava muito azedo, "não é, Grace?" A Grace confirmava e fazia caretas enquanto tomava o suco, para tapear a pequena Izildinha.

Essa cena ficou marcada na minha memória, tanto que 64 anos depois eis que chegou de repente e eu tive impulso de registrar no meu blog.

Quem não tem o verdadeiro amor no coração, não adote! Isso foi uma forma, talvez, de essa mulher mostrar aos outros que era boa, generosa, etc. Mas na prática era uma megera. Só faço votos que a Izildinha tenha encontrado um rumo mais acolhedor na vida!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

RECORDAR É VIVER MELHOR!

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Dizem que recordar é viver. Descobri que pode ser viver melhor ainda o que já se viveu, porque já temos mais experiência para observar enquanto se revive o fato. A mente é um mistério para nós e continua sendo assim. Se você pensar o que acontece durante os sonhos, sente que enquanto sonhou viveu "de verdade" alguma história. Quando acorda, se tiver sorte, pode capturar essa história e sentir como se fosse fato que realmente aconteceu. Mas nem precisamos sonhar enquanto dormimos. Podemos fazê-lo acordados mesmo, é só uma questão de capturar algum insight que venha de repente, sem aviso, e antes que ele se vá, demore-se nele o suficiente para senti-lo como vivendo novamente o fato. Tem acontecido às vezes comigo e hoje foi sobre a adolescência e as sensações de vida em turbilhão que acontecem nessa fase. Felizmente não recordei a parte triste dessa idade, que é trágica para muitos e no meu caso não foi diferente. Mas abriu-se um portal que me levou a uma sensação que poderia ser considerada como real, pena que durou frações de segundo. Nesses momentos acredito que temos um arquivo secreto cuja chave aparece uma ou outra vez e se estivermos atentos podemos abrir uma gaveta e captar a coisa de forma tão nítida que chegamos a sentir o "cheiro" do ambiente que nos é trazido à memória.

É isso, a vida é instigante para quem se interessa por ela.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A lagartixa

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Conversando ontem com uma vizinha idosa, que também mora sozinha, disse ela achar minhas cachorrinhas muito bonitas. Perguntei se também tinha alguma cachorrinha. Negou. Comentou que se sente muito só e já pensou em adotar um animalzinho para lhe fazer companhia. E o que falou a seguir me deixou perplexa e comovida. 

"Sabe, dona, outro dia eu achei uma lagartixa no meu apartamento e por dias seguidos conversava com ela. Já estava acostumada com a sua companhia quando de um dia para o outro ela sumiu". 

Eu nem sabia o que dizer. Disfarcei meu espanto e sugeri que se um dia ela tiver disposição para cuidar de um pet eu posso ajudá-la, pois conheço alguém que faz um trabalho voluntário e tem muitos cachorrinhos para doar.

A que ponto chega o ser humano na velhice. Uma lagartixa já serve como companhia. É quase como falar com as paredes!!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O TEMPO NÃO EXISTE: É A QUARTA DIMENSÃO DO ESPAÇO!

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Agora entendi porque Drummond não escrevia sobre sua infância no particípio passado. Para ele a infância era tão tangível que se referia a fatos vividos na época em que era criança como se tivessem acabado de acontecer. O tempo não interferia no processo.

Sinto isso também, embora não seja poeta. Acho que por esse motivo fico sempre um pouco chocada quando alguém se refere a mim como uma senhora idosa. Nunca me senti uma "idosa". Minha cabeça está viajando por toda uma vida que vivi e passa de uma cena à outra sem espaço de tempo. É tudo sentido e vivido como se tivesse acabado de acontecer. Claro que os sintomas físicos da velhice já se fazem sentir, às vezes de uma forma que chega a me irritar. O corpo quer ir mais longe e o cansaço e dificuldade para um movimento mais intenso me impedem e me aborrecem. 

Mas sinto que se não tiver problemas mentais eu vou trazer sempre comigo a minha vida inteira!!!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Numa peixaria no Mercado Municipal de Santos...

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Nunca façam o que se segue com seus filhos. NUNCA!!!

Eu devia ter 3 ou 4 anos, tinha a mania de descer do carro junto com meu pai, toda vez que ele parava para ir a uma farmácia, mercado, enfim, qualquer lugar.

Um dia parou numa peixaria do Mercado de Santos, desceu do carro entrou na peixaria, perguntou alguma coisa e logo saiu pela entrada lateral. As duas entradas eram divididas por uma coluna de alvenaria. Eu corri atrás e quando vi que ele saiu pela outra porta, tentei alcançá-lo mas ele, rapidamente entrou no carro, deu a partida e foi embora. Eu fiquei na calçada gritando como uma desesperada e até hoje me lembro da cena de horror. Achei que nunca mais ia ver meus pais. Os lojistas todos correram à porta de seu comércio, assustados com o que estava acontecendo e gritavam para meu pai voltar. Ele deu marcha-a-ré e voltou para me pegar. Disse que foi uma lição para eu aprender a ficar no carro quando ele descia para ir a algum lugar.

Com isso ele deixou de ser amado por mim. A partir daquele evento de horror, passei a ter dois sentimentos por ele: medo e respeito. O segundo era apenas consequência do primeiro.

Não sei se foi a partir daquele dia, nunca mais confiei em homem algum.

sábado, 9 de julho de 2016

Porque não gosto da memória

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Acho que me identifico com autores que falam dos dramas da alma humana. Embora inventem uma história, fazem-no para encaixar alguma coisa pessoal que fica melhor se dita de forma a despertar interesse; e nada como uma boa história para contar sobre si e os desafios que a vida representa para todo ser humano.

Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Franz Kafka, entre alguns outros, são escritores que me preenchem a alma. Falam-me direto ao coração, deixam-me sempre com uma sensação de que encontrei um irmão, uma irmã de alma. 

Talvez por isso não me esforço para dizer alguma coisa, quando vejo que eles já disseram quase tudo. O fio da vida é o mesmo, o que muda são as contas que se enfiam nesse cordão. A cada um foi dado viver seu desafio, escolher o sentido da vida, criá-lo mesmo, para enfrentar todos os momentos. 

Viver não é tarefa fácil, e penso que quem sabe colocar em palavras o que lhe vai à alma, tem a vantagem de aliviar a tensão de existir. Sempre nos resta o passado a recordar, queiramos ou não. E aí reside todo o problema. Se conseguíssemos estar sempre no presente não existiriam escritores, a vida seria uma sucessão de eventos, descartados logo após alguns instantes de presença em cada um de nós. Mas a memória é o grande calcanhar de Aquiles. É aí que começa o peso. Já não conseguimos mais a leveza de simplesmente existir. E corremos atrás de algum filósofo, algumas vezes psicólogo e até psiquiatras, quando a coisa começa a ficar insustentável.

Deixar a carga para trás é a sabedoria de quem escolheu viver bem. Não se prender a ideologias, religiões, padrões, apegos, é o que precisamos para viver bem.

Ainda não consegui fazer minha alma parar de mastigar o chiclé cansativo e amargo que insisto em não cuspir fora.